Chuva na Bahia: 70 mil atingidos, sete mortos e 3,7 mil desabrigados

 

Após quatro dias de temporal, o domingo foi de chuvas menos intensas e diminuição de alagamentos em algumas cidades da Bahia. De acordo com dados da Defesa do Civil do Estado, a Bahia registrou sete mortes provocadas pelas chuvas. Além disso, 70 mil pessoas foram atingidas e 3,7 mil estão desabrigadas. No entanto, diversas cidades ainda registram alagamentos e comunidades ribeirinhas apontam para a subida do nível dos rios nas regiões do estado mais atingidas pela chuva, especialmente no extremo sul do estado. 

 De acordo com informações da Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec), 30 cidades estão em situação de emergência. Vilarejos e povoados da região ficaram ilhados por causa da chuva, o que dificulta o acesso dos bombeiros. Neste domingo, cerca de 241 militares do corpo de bombeiros e 2 helicópteros atuaram no resgate de vítimas e no apoio às comunidades afetadas.

 Em Amargosa, duas vítimas do soterramento ocorrido na madrugada de sábado foram encontradas mortas. As vítimas foram identificadas como Elita Pereira, de 80 anos, e Eliana Pereira, de 40 anos. As buscas ainda seguem porque um homem identificado como Gildásio Ribeiro, de 89 anos, esposo de Elita e pai de Eliana, também estava no imóvel no momento do soterramento. 

 Em Medeiros Neto, de acordo com a prefeitura, a estimativa é de que mais de duas mil pessoas tenham ficado desabrigadas ou desalojadas. O município decretou estado de calamidade pública. Ainda segundo a prefeitura, choveu cerca 300 mm no intervalo de três dias, quando a média de chuva esperada na cidade era de 40 mm para o mês de dezembro. Os rios Água Fria e Itanhém transbordaram e a ponte que liga o centro da cidade ao bairro de São Bernardo ficou submersa. 

 Após o rompimento de duas barragens no município de Apuarema, os moradores da cidade começaram a analisar os estragos causados pela força da água. A situação ocorreu na sexta-feira (10), após fortes chuvas. Segundo o prefeito Rogério Costa (PP), 242 pessoas estão desabrigadas na cidade. 

 Uma terceira barragem da cidade foi avaliada por técnicos da Superintendência de Defesa Civil da Bahia (Sudec), do Corpo de Bombeiros e Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). De acordo com informações da prefeitura, a barragem, que fica num local mais alto, não tem risco de se romper. Um dreno foi improvisado no local para a água escoar e evitar o rompimento da estrutura. 

 Em Itamaraju, cidade visitada pelo presidente Jair Bolsonaro neste domingo, o prefeito Marcelo Angenica contabilizou os estragos causados pelas fortes chuvas na cidade, que fica no sul da Bahia. Segundo ele, cerca de 150 casas foram destruídas. A cidade teve situação de emergência reconhecida pelos governos estadual e federal. Três pessoas morreram em decorrência da chuva, na última quarta-feira (8), quando um barranco deslizou e atingiu seis imóveis na cidade. As vítimas – duas crianças, de 4 e 9 anos, e o tio delas, um jovem de 26 – estavam em casa quando foram atingidos pela lama e pelos escombros. 

 "A gente está tendo todo o apoio necessário. O prejuízo foi grande e a gente precisa recuperar nossa cidade. A gente calcula um prejuízo de R$ 40 a R$ 50 milhões, perdemos três vidas humanas, que a gente lamenta muito, foram duas crianças e um adulto. Temos entre 100 e 150 casas destruídas, que precisam ser recuperadas, além de estrada", estimou Marcelo Angenica. 

 A situação de calamidade por causa das chuvas no sul e extremo sul da Bahia começou a cerca de uma semana. O temporal que atinge as regiões é causado pela Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que é uma faixa de nuvens que se estende desde o sul da região amazônica até a região central do Atlântico Sul. 

 De acordo com o Corpo de Bombeiros, mais de 1.500 cestas básicas, além de roupas, água e itens de uso pessoal já foram distribuídos pelos grupamentos de bombeiros militares das cidades de Porto Seguro e Eunápolis. Diversos pontos de doação recebem donativos e campanhas estão sendo realizadas por todo estado. 

 Povos indígenas 

 Os povos indígenas também têm sofrido com a chuva que há dias causa transtornos em toda a Bahia. De acordo com lideranças, diversas aldeias estão isoladas após a interdição de acessos. Em Coroa Vermelha, na cidade de Santa Cruz Cabrália, a ponte que dá acesso à aldeia Barra Velha caiu. Com isso, não é possível acessar o local. “De Buerarema até Prado a situação de todas as aldeias está bem crítica. Nós do povo Pataxó estamos tentando arrecadar dinheiro para ajudar os parentes na aldeia Barra Velha porque estamos sem acesso. A ponte que chegava à comunidade caiu e o rio está com a correnteza muito forte, impossibilitando a chegada por barco também”, contou a chef de cozinha Deborah Martins, do povo pataxó. 

 Neste domingo, lideranças indígenas alertaram para a subida do nível do rio Itanhém, que deságua em Alcobaça. As lideranças alertam que as comunidades ribeirinhas e portuárias precisam ficar atentas e procurar pontos mais afastados. 

 Ainda neste domingo, 33 famílias indígenas do povo Pataxó que perderam seus bens durante os alagamentos em Porto Seguro receberam doações que estão sendo recolhidas por lideranças. 

 Estradas baianas 

 Todas as rodovias federais que cortam a Bahia foram liberadas na tarde deste domingo (12), depois de interdições por decorrência da chuva. A informação foi confirmada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). 

Vários pontos de deslizamentos de terra e desabamento de pontes foram registrados nas vias. A primeira delas a ser interditada foi a BR-101, que liga a região Nordeste ao Sul do Brasil. Por lá, os bloqueios afetaram as cidades de Itamaraju, Eunápolis e Itabela ainda na sexta-feira (10).

 Já no sábado (11), a BR-101 foi interditada em outros dois pontos, em Uruçuca e Teolândia. A BR-420 também foi bloqueada, depois que uma ponte que liga os municípios de Jiquiriçá e Mutuípe. 


 Em relação às estradas estaduais, o fluxo de veículos no km 17 da BA-284, próximo ao acesso do distrito de São Paulino, entre o entroncamento da BR-101, em Itamaraju, e o distrito de Alho, foi liberado para veículos, como motos e carros, na noite de sábado (11). 

 De acordo com o governo do Estado, a passagem de ônibus e de caminhões seria autorizada neste domingo, após a instalação de bueiros. Até às 20h30, a Secretaria Estadual de Infraestrutura não havia confirmado a liberação. 

 Já a recuperação do bueiro e a implantação de aterro no km 30, que também rompeu por conta do período chuvoso na região, devem começar até esta segunda-feira (13). Durante a execução da obra, o desvio ao lado da pista será construído para que os veículos possam transitar na rodovia. Os motoristas que utilizam a via devem ficar atentos, pois o tráfego está interrompido. 

 A recuperação de um dos encontros da ponte sobre o Rio Jucuruçu, na BA-001, na entrada de Prado, foi iniciada neste domingo (12). Os equipamentos, como carregadeira e escavadeira, trabalham na recomposição da cabeceira do equipamento. O acesso ao município permanece interditado e vai ser retomado após a conclusão dos trabalhos. 

 Fonte: g1 Bahia.


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