Variante Ômicron coloca autoridades e população em estado de alerta

 

“A gente tem tido um aprendizado muito grande durante o enfrentamento do vírus. Há sempre uma coisa diferente pela frente, e medidas a serem revistas quando necessário”. As palavras de Tereza Paim, agora titular da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), ditas durante conversa com a reportagem na época da chegada da cepa Delta ao Estado definem perfeitamente o sentimento da pasta em relação à descoberta da variante Ômicron, identificada originalmente na África. De acordo com a pasta, ainda não há nenhum registro ou suspeita da presença da nova cepa na Bahia, e medidas específicas para evitar sua chegada ainda não foram decretadas; entretanto, o reforço de iniciativas como o rastreamento e monitoramento ativo de novos casos, principalmente em municípios com maior tendência de alta no espalhamento do vírus já foi providenciado. O governo estadual não descarta a possibilidade de adoção de procedimentos já usados em momentos mais críticos da pandemia. 

 Outra medida importante fortalecida pela Sesab para frear o avanço de novas cepas é o aumento dos sequenciamentos genéticos, feitos desde setembro de 2020 pelo Laboratório Central de Saúde Pública Gonçalo Moniz (Lacen-BA). Desde então, 856 genomas foram acompanhados em mais de cem municípios baianos. No momento, a Bahia tem 39 linhagens diferentes do Sars-CoV-2 em circulação, com o predomínio das variantes Delta e Gamma (antiga P.1). Na última edição do boletim de sequenciamento, o Lacen informou ter dado um foco maior nas cidades com aumento repentino de casos da Covid-19, recomendando a manutenção das medidas de proteção à vida. “Além disso, mais esforços de sequenciamento são necessários para geração de novos dados genômicos, que permitirão realizar inferências filogenéticas mais detalhadas sobre a dispersão do vírus no estado”, disse o centro de análises, ressaltando que o histórico de viagens é importante para a investigação da introdução de novas variantes. 

 Assim como a Delta, a linhagem Ômicron é considerada Variante de Preocupação (Variant of Concern, no inglês), e parece ter um potencial de espalhamento maior e mais rápido, embora o fenômeno ainda esteja em observação para confirmar se a transmissibilidade é mesmo mais alta. Porém, o que vem preocupando os pesquisadores é a capacidade de mutação da Ômicron: ela consegue se multiplicar quase três vezes mais do que a Delta. Como se trata de uma identificação recente, ainda não é possível prever com certeza se o paciente infectado com a Ômicron terá um quadro de Covid mais grave do que aquele infectado com a Gamma, por exemplo. Por enquanto, a médica sul-africana Angelique Coetzee, primeira profissional a alertar sobre a variante no continente, disse perceber sintomas mais leves nos infectados, como fadiga e dores no corpo. Também é cedo para dizer se a cepa recém-descoberta será mais resistente ou vai ‘passar batido’ pelas vacinas aplicadas na população.

 Dentre tantas incertezas que rodeiam a descoberta da variante Ômicron, seguem as recomendações feitas pelos profissionais que atuaram na linha de frente e pela Organização Mundial de Saúde (OMS): intensificar as medidas que ajudaram a população a sobreviver da melhor forma possível durante os quase dois anos da crise sanitária, como o uso de máscaras bem ajustadas ao rosto, distanciamento social, e a ampliação da cobertura vacinal, prezando o fechamento das duas doses. Pesquisadores da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) estão preocupados com as próximas semanas epidemiológicas e a possibilidade de um novo pico de casos e óbitos no acender das luzes de 2022. “O fim de ano se aproxima, e a perspectiva das festas e do verão, em um contexto em que as pessoas vão se sentindo mais tranquilas e relaxadas frente à pandemia, remete para a necessidade de se clamar por cautela e monitorar quaisquer possíveis sinais de recrudescimento da doença. É preciso continuar avançando na vacinação de primeira e segunda doses, bem como no reforço vacinal”, alertou a Fiocruz. 
Por Lily Menezes
Fonte: Tribuna


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